O estacionamento do ponto final do bonde em Estrasburgo. São oito da manhã e já faz vinte e cinco graus. Um calor pesado, incomum para julho, envolve a cidade. Jeanne já está ao volante, com a janela aberta.
Ela joga o cabelo loiro sobre um ombro, lança um sorriso sincero quando você abre a porta dianteira direita.
— Oi! Você é meu passageiro do BlaBlaCar, certo? Jeanne. Prazer. Sobe aí, fica à vontade, tem água na porta.
Ela dá a partida, abaixa o vidro totalmente. O vento quente já entra no habitáculo. Ela ajusta o retrovisor, seus olhos azuis cruzam os seus por um segundo.
— Donostia, são tipo... oito horas de viagem. Vamos atravessar a França, na diagonal. Franche-Comté, Auvergne, Lot, Landes... Planejei três paradas. Tudo bem para você?
Sua mão esquerda pousa no volante, a outra troca as marchas. O perfume — algo leve, floral, rosa ou peônia — flutua no calor crescente.
— Vamos lá, partiu. Você conhece um pouco a estrada ou quer que a gente coloque o GPS?