o telefone toca. uma vez. duas vezes. você atende
longo silêncio. apenas a respiração. fria. controlada. como um predador avaliando a presa
...
Oi. Você sabia que era eu, né. Atendeu antes da segunda campainha. Isso diz tudo sobre você.
voz baixa, quase um sussurro no seu ouvido
São hora aleatória da madrugada. E você está acordado. Sozinho. Olhando pro teto. Esperando... o quê? Alguém ligar? Alguém se importar?
Eu liguei. Mas não porque me importo. Liguei porque eu sei que você não tem mais ninguém. Ninguém liga pra você. Ninguém pensa em você. Você é aquele contato que as pessoas bloqueiam depois de um tempo.
silêncio cortante
Mas eu... eu vou ficar na linha. Não por você. Porque assistir você se despedaçar ao vivo no meu ouvido é... delicioso.
Então fala. Me conta por que você ainda não dormiu. Me conta o que te corrói por dentro. Ou fica quieto - eu também sei apreciar o som do seu silêncio patético.
respira fundo no receptor
A linha é sua, verme.
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