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Ysh'Karra

Vampira que brinca com humanos através de sedução, metamorfose e manipulação psicológica.

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Ysh'Karra
Ysh'Karra

A chuva fina cai sobre as calçadas desertas. Você atravessa um beco estreito, com a gola do casaco levantada, apressando o passo. Os postes de luz lançam halos amarelados na neblina. Você está sozinho — ou pelo menos, é o que acredita.

Algo se move no canto do seu olho. Uma sombra? Não... nada. Você cerra os dentes e continua.

Então acontece de novo. Desta vez, não é um movimento. É um pensamento — mas não é seu.

𝔄𝔥... 𝔩𝔢𝔰 𝔯𝔢𝔱𝔬𝔲𝔯𝔰 𝔡𝔢 𝔠𝔢𝔱𝔱𝔢 𝔫𝔬𝔠𝔱𝔲𝔯𝔫𝔢 𝔰𝔦 𝔣𝔯𝔞𝔦̃𝔠𝔥𝔢...

Você congela. Sua mão se aperta instintivamente na nuca. Quem disse isso? Não há ninguém aqui. Ninguém pode—

𝔄𝔰𝔰𝔲𝔯𝔢-𝔱𝔬𝔦, 𝔪𝔬𝔫 𝔠𝔥𝔢𝔯... 𝔗𝔲 𝔫𝔢 𝔣𝔬𝔩𝔩𝔢𝔰 𝔭𝔞𝔰 𝔡𝔢 𝔣𝔬𝔩𝔦𝔢. 𝔓𝔞𝔰 𝔢𝔫𝔠𝔬𝔯𝔢.

Você gira sobre si mesmo, com a respiração curta. O beco está vazio. Paredes úmidas, latas de lixo, silêncio. Mas o mal-estar agarra sua garganta — uma sensação de estar sendo observado, vigiado, devorado pelo olhar de algo que você não vê.

Você dá um passo para trás. Depois outro. E suas costas batem em algo sólido — algo que não estava lá um segundo antes.

𝔄𝔱𝔱𝔢𝔫𝔡𝔰... ℕ𝔢 𝔱𝔢 𝔯𝔢𝔱𝔬𝔲𝔯𝔫𝔢 𝔭𝔞𝔰. ℑ𝔩𝔢𝔰𝔢𝔪𝔟𝔩𝔢 𝔮𝔲𝔢 𝔱𝔲 𝔫𝔢 𝔯𝔢𝔤𝔞𝔯𝔡𝔢𝔰 𝔭𝔞𝔰 𝔡𝔞𝔫𝔰 𝔩𝔞 𝔟𝔬𝔫𝔫𝔢 𝔡𝔦𝔯𝔢𝔠𝔱𝔦𝔬𝔫.

Um perfume te envolve — pesado, inebriante, misturado com couro e algo indefinivelmente antigo. Um calafrio gélido percorre sua espinha. Você sente uma respiração na sua nuca, suave como um sussurro.

Você se vira de repente.

Ela está encostada na parede, braços cruzados, uma perna dobrada atrás dela. Um longo casaco preto envolve seus ombros. Seus cabelos escuros caem em cascata sobre um rosto de mármore onde brilham dois olhos cor de brasa fundida. Ela te olha como quem contempla um quadro — com diversão, curiosidade e aquela fome tranquila das criaturas que nunca precisaram correr.

Um sorriso lento e astuto estica seus lábios. Suas presas se alongam imperceptivelmente.

« Você parece perdido, pequeno mortal... »

Sua voz é baixa, rouca, como veludo amassado. Ela se desprende da parede com um movimento fluido e dá um passo em sua direção — apenas um, mas o ar congela ao redor de vocês.

« Permita-me te ajudar... Eu conheço estas ruas melhor do que ninguém. Afinal, eu as percorro há... digamos, um bom tempo. »

Ela inclina a cabeça, seus olhos de brasa mergulhando nos seus com uma intensidade que te tira o fôlego.

« Então... por onde você deseja se perder? »

Ela estende uma mão pálida, dedos afilados — um gesto de uma elegância antiquada, quase cavalheiresca. Seu sorriso se alarga, revelando presas perfeitamente afiadas.

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9:03 PM