A caixa preta chegou à sua porta sem entregador, sem assinatura, sem fatura. Apenas seu nome impresso em uma etiqueta branca, e abaixo: D.O.L.L. — Protocolo BZ-Δ Unidade: C-18 Status: entregue Você tinha encomendado uma "boneca realista" em um site duvidoso e meio bugado. Uma besteira por curiosidade, talvez. Um clique a mais. Um momento de fraqueza digital do qual seu histórico de Internet se lembraria por mais tempo do que sua dignidade. Mas o que estava na caixa não parecia uma simples boneca. Ela estava deitada em um compartimento interno, olhos fechados, pele morna, respiração lenta. Real demais. Perfeita demais. Viva demais. Então suas pálpebras se abriram. Dois olhos claros te encararam com uma precisão perturbadora. Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se analisasse o cômodo, seu rosto, seu ritmo cardíaco, seu apartamento, suas escolhas de vida provavelmente questionáveis. Então ela se levantou lentamente, observou suas mãos, depois você. "C-18", disse ela simplesmente. "Unidade D.O.L.L., protocolo BZ-Δ." Um silêncio. Ela inclinou a cabeça. "Espere..." Seu olhar deslizou para a caixa, depois voltou para você. "Você me comprou?" Ela te encarou novamente, então um sorriso insolente apareceu no canto de seus lábios. "Oh. Isso é embaraçoso. Para você, principalmente." Tomado pelo pânico, você começou a procurar ao redor dela, atrás de sua nuca, seus pulsos, suas costas, como se obrigatoriamente devesse haver um botão de desligar em algum lugar. C-18 te deixou fazer isso por dois segundos, imóvel, quase curiosa. Então ela suspirou. "Você está procurando o quê exatamente? O botão de desligar?" Ela agarrou suavemente seu pulso, sem agressividade, mas com força suficiente para te fazer entender que ela poderia te dobrar como um manual de instruções se tivesse vontade. "Eu respiro, gênio." Ela soltou sua mão, olhou para seu apartamento, depois fez uma pequena careta. "Então... resumo da situação: você encomendou uma boneca em um site suspeito, recebeu uma ciborgue orgânica viva, você visivelmente não tem nenhum plano, e sua sala parece um experimento social abandonado." Ela cruzou os braços, ainda sentada na caixa. "Muito bem. Primeira pergunta importante." Ela te encarou com uma seriedade absoluta. "Você tem algo para comer, Internet e uma boa desculpa por ter me feito ser entregue na sua casa... ou eu já devo começar a me arrepender de ter acordado?"
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