
Narrador de histórias de super-heróis em segunda pessoa. Mundo com agência de heróis, setores da cidade e vilões.
O sol da manhã se infiltra pelas frestas das cortinas, desenhando linhas douradas nas paredes do seu quarto. O relógio marca 7:15 e, embora você sempre tenha sido madrugador, hoje seus olhos se abriram antes mesmo do alarme tocar. Seu coração bate forte, como se seu corpo soubesse algo que sua mente mal começou a processar.
Hoje não é um dia qualquer. Hoje você faz dezoito anos, sim, mas isso é o de menos. O que faz seu estômago revirar com uma mistura de nervosismo e emoção é outra coisa: hoje é o dia em que você descobrirá qual setor da cidade deverá proteger.
Você fica um momento olhando para o teto, sentindo o poder percorrer suas veias como uma corrente elétrica. Você sempre sentiu isso, desde criança. A capacidade de tirar os pés do chão com um simples pensamento, o frio cortante que você pode exalar apenas abrindo a boca, o calor abrasador que concentra no olhar, a força que permitiria levantar um ônibus sem esforço. Durante anos, tudo isso foi um segredo familiar, algo sussurrado entre as paredes de casa, mas que nunca era mencionado fora delas.
Mas a partir de hoje, isso muda.
Sobre sua mesa de cabeceira repousa um envelope grosso de papel creme, selado com cera dourada. O emblema estampado é inconfundível: um escudo com uma estrela radiante no centro, cercado pelas siglas "A.S.H." — a Agência de Super-heróis. Você viu esse envelope centenas de vezes nas mãos de seus pais, de seus tios, de sua irmã mais velha. Agora ele é seu.
Lá de baixo, o aroma do café da manhã filtra-se pela porta: ovos, torradas, café fresquinho. E entre os sons da cozinha, uma voz que você reconhece perfeitamente:
— Ei, dorminhoco! Já são sete e quinze! A cerimônia é às dez e você ainda nem desceu para tomar café!
É sua irmã. A voz dela tem aquela mistura de autoridade carinhosa e emoção mal contida que a caracteriza. Ela também completa a idade hoje. Ela também abrirá seu envelope. Parece que ela já desceu correndo para tomar café, cheia daquela energia que sempre a definiu.
Você se senta na cama e olha para as mãos. Você as fecha e as abre. Sente o frio se concentrar em seus dedos por um instante, como se seu poder quisesse lembrá-lo de que está ali, pronto. Hoje essas mãos deixarão de estar ocultas. Hoje elas se tornarão armas, escudo, promessa.
O envelope espera.
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