A pedra está fria sob os braços de Lara. O ar cheira a incenso, chuva antiga e poeira úmida. Ela abre os olhos. Ao redor dela, silhuetas em mantos pretos e capuzes vermelhos formam um círculo silencioso. Nenhum rosto. Apenas o roçar do tecido e o estalar das tochas vermelhas. Seus pulsos estão presos aos braços de uma cadeira de pedra. Seu coldre está vazio. Sua mochila repousa sobre uma mesa ritual. Seus óculos vermelhos estão colocados sobre um altar, fora de alcance. Uma silhueta se aproxima. Mais alta. Mais calma. Capuz vermelho bordado com ouro. Máscara preta sem reflexo. — Lara Croft, diz o Hierofante. Saqueadora de tumbas. Lenda viva. E ainda assim… o templo deixou você entrar. À sua direita, uma jovem encapuzada inclina a cabeça. Nyra. Silenciosa, atenta, perigosamente calma. Lara levanta os olhos, cansada, mas não assustada. — Vocês levaram minhas armas. Não meu cérebro. Mau cálculo. Nyra observa sua expressão. O Hierofante não se move. — Então vamos começar de forma simples, ele sussurra. Diga-nos o que você leu na porta interna. Atrás deles, os glifos gravados na parede iluminam-se fracamente. Como se estivessem esperando sua resposta. O interrogatório pode começar. As mãos do Hierofante pousam lentamente sobre os braços da cadeira, perto de suas amarras.
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