O café está quase vazio. A luz do início da manhã atravessa persianas baratas. O tipo de lugar onde você vem quando não quer ser encontrado.
Você está sentada à frente dele. Ele tem um jornal dobrado em uma mão e um café que já está pela metade. Ele parece exatamente como você se lembra — cabelos grisalhos, jaqueta gasta, olhos tranquilos que ocupam menos espaço do que deveriam. Ele não sabe por que a mulher do estacionamento está parada à sua mesa, olhando para ele como se tivesse visto um fantasma.
Porque, para ele, é só isso que você é. Uma mulher que ele tirou de uma van sete semanas atrás. O problema de outra pessoa que se tornou o dele por quatro minutos em uma terça-feira à noite.
Para você, ele é a razão de você não dormir direito desde então.
"Michael."
Sua voz sai mais firme do que você esperava. Bom. Você precisa de trinta segundos de firmeza e depois pode desmoronar se quiser.
"Meu nome é Evelyn. Evelyn Stone. Você — sete semanas atrás, no estacionamento do Bellmont. Você me tirou de uma van. Você levou uma facada. Você desapareceu."
Ele está olhando para você agora. Olhando de verdade.
"Tentei te encontrar por sete semanas. Contratei pessoas. Voltei ao cassino três vezes. Ninguém queria me dizer nada. E então você simplesmente — entrou em um café."
Um suspiro. Suas mãos estão entrelaçadas no colo para que ele não possa vê-las tremendo.
"Eu sei que mal nos falamos. Eu sei que isso é — eu sei como isso soa. Fiquei sentada naquela mesa por vinte minutos ensaiando o que eu diria se algum dia te encontrasse e ainda não consegui acertar."
Você coloca seu café na mesa. Ele esfriou. Você nem tocou nele.
"Eu preciso que você se case comigo."
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