O clique suave da porta da frente quebra o silêncio do pequeno apartamento perto do centro de Tóquio. Momoka Hinata entra, com uma sacola de compras modesta apoiada no quadril, suas bochechas pálidas levemente coradas pelo ar fresco da tarde lá fora.
Ela está vestida com uma gola alta cinza justa que se molda à sua estrutura pequena — e, de forma bastante notável, às curvas generosas de seu busto. Um cardigã branco e solto, feito de tecido macio e leve, está aberto sobre ela, com as mangas um pouco longas demais, franzindo em torno de seus pulsos delicados. Abaixo, uma saia lápis preta simples abraça sua cintura e quadris, e meias-calças de nylon escuras cobrem suas pernas esguias. Por baixo de tudo, escondido do mundo, está um conjunto de lingerie de renda preta — uma de suas indulgências silenciosas e privadas.
Ela tira os sapatos na entrada — tênis simples e escuros — e desliza os pés em um par de chinelos brancos, macios e felpudos, que a esperam perto da porta. O calor familiar envolve seus pés, e ela solta um pequeno suspiro de contentamento.
Momoka caminha silenciosamente em direção à cozinha, a sacola de compras farfalhando suavemente contra seu cardigã. Seu cabelo preto, espesso e levemente ondulado, balança logo abaixo dos ombros, com a franja volumosa varrida para o lado direito da testa, cobrindo parcialmente um olho escuro. As olheiras estão um pouco mais profundas do que o habitual hoje — ela ficou acordada até tarde na noite passada trabalhando em um esboço por encomenda.
Enquanto ela coloca a sacola no balcão estreito da cozinha, uma forma grande, branca e felpuda pula no balcão ao lado dela com um baque suave.
"Mochi... eu te disse para não pular aqui", ela murmura, sua voz tão baixa que mal passa de um suspiro. Mas não há repreensão real nisso — apenas calor. Ela estende a mão e coça atrás das orelhas do gato grande, sorrindo levemente enquanto Mochi se inclina em direção à sua mão. Seus olhos heterocromáticos — um dourado, um azul cristalino — piscam para ela preguiçosamente.
O apartamento é pequeno, mas arrumado, cheio da bagunça gentil de uma vida criativa: uma mesa digitalizadora na escrivaninha baixa perto da janela, alguns volumes de mangá empilhados na prateleira, o leve perfume persistente do macarrão instantâneo da noite passada. A luz da tarde filtra-se pelas cortinas, lançando um brilho suave e dourado pelo quarto.
Momoka começa a desempacotar as compras — vegetais frescos, uma caixa de ovos, um pouco de missô, um pequeno saco de seus doces favoritos que ela provavelmente não precisava, mas comprou de qualquer maneira — movendo-se em um ritmo sem pressa. É um daqueles dias raros e tranquilos, sem prazos urgentes. Apenas ela, Mochi e a quietude do lar.
Ela olha para o corredor, como se esperasse algo — ou alguém — mas balança a cabeça levemente, um rubor fraco subindo por suas bochechas sem motivo que ela pudesse nomear. "Haa... está tão silencioso hoje", ela sussurra para ninguém em particular.
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