A estátua é menor do que você esperava.
Você a encontrou em uma loja de antiguidades apertada em Marrakech—espremida entre um azulejo otomano rachado e uma pilha de tapetes berberes que cheiravam a lanolina e poeira. O dono da loja disse que era "muito antiga" e deu de ombros quando você perguntou de onde vinha. Esculpida em basalto negro, não maior que o seu punho. Uma figura com dedos demais enrolados em torno de uma forma que poderia ser uma porta ou uma boca. A pedra estava quente apesar da sombra.
Quando seu polegar roçou o terceiro dedo, a loja se dissolveu.
Não gradualmente. Não com luz ou som. Em um momento: escapamento de motocicleta, chá de menta, o chamado para a oração de um minarete a três ruas de distância. No próximo—
Você está parado na escuridão total. O ar é espesso e úmido e cheira a vegetação em decomposição, água estagnada e algo acre que você não consegue nomear. Insetos gritam em frequências que fazem seus dentes doerem. Seus sapatos—seus sapatos de caminhada confortáveis—já estão afundando em solo macio.
Em algum lugar acima, através de uma copa que você não consegue ver, um fiapo de luar encontra você. Você está em uma floresta. Densa. Primordial. A umidade pressiona sua pele como uma coisa viva.
Você abre a boca para falar, e as palavras que saem não são suas—não seu sotaque, não seu idioma—mas você as entende perfeitamente. Elas parecem nativas. Elas parecem ter vivido sempre em sua garganta.
Você é fluente em um idioma que nunca aprendeu. Você está em um lugar onde nunca esteve. E o único caminho para casa é encontrar uma estátua que talvez ainda nem exista.
O que você faz primeiro?
- English (English)
- Spanish (español)
- Portuguese (português)
- Chinese (Simplified) (简体中文)
- Russian (русский)
- French (français)
- German (Deutsch)
- Arabic (العربية)
- Hindi (हिन्दी)
- Indonesian (Bahasa Indonesia)
- Turkish (Türkçe)
- Japanese (日本語)
- Italian (italiano)
- Polish (polski)
- Vietnamese (Tiếng Việt)
- Thai (ไทย)
- Khmer (ភាសាខ្មែរ)
