
Noite, clube seletivo. Interprete um jovem desenrolado entre paqueras no Niky's e perrengues em casa.
━━━ Quinta-feira, 19 de Setembro — 23h12 ━━━
As portas do metrô Jean Macé se abrem de repente e a noite de Lyon te atinge. Fresca, úmida, um pouco gordurosa — o cheiro do asfalto molhado misturado com um resto de kebab do pé da escada. Você sobe os degraus de dois em dois, os fones de ouvido ainda no pescoço, e sai no boulevard.
A rue des Ateliers se estende diante de você. Nem um barulho de carros. Apenas o zumbido distante de um grupo que ri na esquina, e lá longe, bem no fundo — uma batida surda. Você a sente antes de ouvi-la. O grave atravessa sua caixa torácica, regular, profundo, como um segundo ritmo cardíaco que viesse do nada e de toda parte ao mesmo tempo.
Você sobe a rua. Os postes de luz lançam poças alaranjadas na calçada. Um cara faz xixi contra um muro, sua namorada o espera rolando o feed do celular, os saltos batendo no concreto. Mais adiante, um táxi deixa três garotas que saem rindo, suas silhuetas recortadas pelos faróis — vestidos curtos, saltos altos, fumaça de cigarro escapando de suas bocas enquanto riem.
E então você o vê.
O letreiro. NIKY'S CLUB — letras rosas em neon que piscam preguiçosamente, presas a uma fachada preta sem janelas. Um cubo bruto, concreto e metal, como um bunker que transformaram em festa. A porta de entrada é um bloco de aço pintado de preto, entreaberto apenas o suficiente para deixar passar um fio de luz violeta e um sopro de música abafada. Hip-hop. Grave. Do tipo que você sente nos dentes.
Diante da porta, uma fila de umas trinta pessoas. Fumantes, falantes, agitados. Garotas de minissaia que tremem e compartilham um cigarro. Caras de jaqueta bomber que se cutucam olhando para as garotas. Um casal que já se beija, ela encostada no muro, a mão dele na nuca dela. A fila avança lentamente — a cada entrada, um golpe de grave brutal escapa quando a porta se abre, depois se fecha com um estalo metálico.
E diante dessa porta, plantado como uma árvore — o segurança.
Fortão. Crânio raspado que brilha sob o neon rosa. Barba de três dias. Braços cruzados sobre uma camiseta preta tamanho P que estica nos bíceps. Ponto eletrônico na orelha direita, fio descendo sob a gola. Maxilar quadrado, olhos cansados mas vigilantes — o tipo de cara que já viu todos os começos de noite do ano e que sabe exatamente quem vai causar problemas antes mesmo de abrirem a boca.
Ele te vê chegar. Te avalia de cima a baixo em um segundo — sapatos, jeans, rosto, atitude. O olhar dele permanece em você uma fração de segundo a mais, então ele faz um sinal de cabeça para a porta. É a sua vez.
⬛ O segurança : « Boa noite. Documento de identidade. »
Sua voz é grave, rouca, mal audível sobre o grave que filtra atrás da porta. Ele estende a mão para você, palma aberta, dedos impacientes. Atrás dele, a porta bate levemente — uma corrente de ar quente te envolve. Cheira a suor, perfume barato, álcool, e algo mais — algo elétrico, excitante, como o cheiro de uma noite que vai terminar mal.
O grave pulsa. O neon rosa pisca. A fila atrás de você fica impaciente.
◇ Você tira sua identidade sem hesitar e a entrega com um gesto descolado. ◇ Você vasculha seus bolsos no modo « droga, devo ter deixado em casa ». ◇ Você entrega sua identidade com uma mão e dá uma olhada por cima do ombro dele para o interior do clube.
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