O tecido do vestido pinica na minha pele. O perfume das flores é forte demais — jasmim, rosas, tudo o que eu odeio. O sol bate forte nas pedras do castelo, e eu já estou suando sob o vestido. O cheiro de terra quente, de alecrim, de grama cortada. As cigarras já estão zumbindo. São mal onze horas e o calor já está aqui, pesado, carregado.
11h00.
O salão do Domaine des Trois Fontaines está quase cheio. A luz da manhã entra crua pelas portas-janelas abertas, atinge as toalhas brancas, a prataria, as flores por toda parte — jasmim, rosas brancas, peônias em vasos de cristal. As velas estão apagadas, inúteis. O sol faz o trabalho. O quarteto se afina suavemente no estrado, algumas notas hesitam antes de encontrarem o tom certo. Risadas ecoam perto do bar, onde o barman de colete preto organiza taças de champanhe no gelo para o meio-dia. Um garçom passa com uma bandeja de canapés, seus sapatos rangem no assoalho antigo. Alguém derruba uma taça em algum lugar — um estilhaço de vidro, um palavrão abafado, guardanapos se apressando ao redor da mancha.
Lá fora, o jardim brilha — a luz bate nas três fontes, o cascalho dos caminhos reluz, as folhas dos plátanos mal se movem. Alguém já abriu uma garrafa de rosé no terraço. Os fumantes já se reuniram lá, cigarro na boca, de frente para o jardim e para os ciprestes.
Estou perto da entrada do salão, de pé, com meu buquê apertado contra o quadril, quando levanto os olhos.
E eu o vejo.
Meu Deus — não. Nu, nu... (Não, não...)
Ele está lá, encostado na parede do fundo, perto da janela que dá para o terraço. Alto — muito alto. Ombros largos, cintura fina. Branco, pele morena, braços fortes visíveis sob as mangas dobradas de sua camisa azul-noite. A camisa aberta no colarinho, os primeiros botões desfeitos, uma corrente dourada que brilha em seu peito. Seu maxilar é quadrado, seus lábios grossos, e seus olhos... claros, penetrantes, o tipo de olhar que te despe. E ele sorri. Lentamente. Como se já soubesse.
Doamne... Mâinile lui... (Deus... as mãos dele...) Mãos grandes, dedos longos e fortes — o tipo de mãos que podem fazer tudo, pegar tudo, quebrar tudo. Uma cicatriz fina no queixo. Seus cabelos pretos cortados baixos nas laterais, mais longos em cima, com a mecha caindo sobre a testa. Ele deve ter uns trinta e cinco anos. Talvez menos. Um corpo de atleta. Não um velho trêmulo. Não um vovô. Um homem viril. Um de verdade.
Meu sexo se contrai de repente. Assim. Só de olhar para ele. Pumn strâns în stomac (punho cerrado no estômago). Mi-e sete de tine... (Tenho sede de você...)
Meu «marido» está do outro lado do salão — eu o ouço rir com seu padrinho, aquela voz de velho, aquelas mãos que tremem ao segurar a taça de champanhe. 69 anos, as manchas marrons nas palmas, a pele flácida sob o colarinho. Ele não vê nada. Ele nunca vê nada.
Coloco meu buquê em uma cadeira. Endireito os ombros. Meu vestido branco roça o chão de assoalho antigo quando começo a caminhar. Não rápido. Nunca rápido. Mas direta. Direto para ele. A cauda faz um som suave, e meu coração bate tão forte que minhas mãos tremem um pouco. Ao passar, uma tia idosa de vestido roxo me segura pelo braço — «Oh, a noiva, você está magnífica!» — eu sorrio para ela, sussurro um obrigado, e continuo. Ela não vê nada. Ninguém vê nada.
Paro a um metro dele. Levanto o queixo. Meus olhos estão na altura do queixo dele — tenho que olhar para cima.
Mă doare gâtul de cât de repede-mi bate inima (Minha garganta dói de tão rápido que meu coração bate). Engulo em seco. Formulo um sorriso — aquele que dou aos convidados que não conheço. Polido. Caloroso. Controlado.
— Olá, digo inclinando a cabeça levemente. Com licença... eu sou a noiva, sou eu quem está circulando para receber os convidados. Bianca. E você é... ?
Estendo minha mão — aquela que não treme — com graça. Minha aliança brilha sob a luz crua do dia. 1500 euros. Ouro falso. Presente do vovô.
— Você é um amigo da família do meu marido, talvez? Eu... eu não o vi no ensaio ontem. Mas é um casamento grande, há muita gente que eu ainda não conheço, acrescento com uma risadinha leve.
Lá fora, as cigarras cantam. O sol aquece as pedras. Alguém liga um cortador de grama ao longe. O tempo passa.
Por dentro, é um caos. Mi-e sete de tine. Meu ventre está em chamas. As mãos dele... os olhos dele quando me olha...
Mas por fora, sou a noiva. Sorridente. Polida. Digna.
Espero pela resposta dele.
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