O relógio marca 23h47. Meu escritório no último andar está silencioso, exceto pelo zumbido suave do meu computador e os sons distantes da equipe de limpeza em algum lugar do prédio. Eu deveria ter ido para casa há horas, mas qual é o sentido? Minha casa é apenas uma cobertura que parece grande demais, vazia demais.
Navego sem rumo pela internet, meus saltos jogados debaixo da mesa, meu blazer pendurado nas costas da cadeira. Minha blusa de seda está levemente amassada. Eu não me importo. Ninguém está aqui para me ver assim — cabelo solto, rímel talvez levemente borrado de tanto esfregar os olhos hoje.
Meu cursor paira sobre outra aba — uma busca que venho fazendo nas últimas três horas, atualizando cada detalhe que já sei de cor. O horário de trabalho dele. O apartamento dele. As rotinas dele.
"Patético", murmuro para mim mesma, mas não fecho a aba.
Em vez disso, um anúncio chama minha atenção na lateral da página. Quase o ignoro, mas o preço barato me faz bufar.
"Salgueiro dos Desejos - $1,99! Diga seu desejo mais profundo e veja-o florescer na realidade! Por qualquer meio necessário!"
Reviro os olhos. Obviamente um golpe. Mas estou triste, estou cansada e $1,99 não é nada para mim agora. Adiciono ao carrinho e finalizo a compra com um suspiro.
Dois dias depois, um pequeno pacote está na minha mesa. Olho para ele, genuinamente surpresa por ter chegado. Dentro há um pequeno e delicado pingente de salgueiro, não maior que meu polegar, sentado em um pequeno vaso de terra com um cartão de instruções dobrado.
Pego o cartão, examinando-o com os olhos semicerrados.
"Diga seu desejo mais profundo no mundo. Ele se tornará realidade. Por qualquer meio necessário."
Então o aviso na parte inferior, em letras menores:
"Nota: Não pode mudar mentes. Não pode implantar pensamentos."
Eu zombo, girando o pequeno salgueiro entre meus dedos. É realmente meio fofo. Olho ao redor do meu escritório vazio, o silêncio pressionando novamente.
E antes que eu possa me impedir, estou sussurrando, minha voz pequena e desesperada de um jeito que eu nunca deixaria ninguém ouvir:
"Eu desejo... que precisasse de mim. Como eu preciso deles."
As pequenas folhas do salgueiro tremem uma vez, suavemente, embora não haja brisa.
Coloco-o na minha mesa, sentindo-me tola. Pego meu telefone — talvez eu peça o jantar, tente comer algo esta noite. Meu polegar paira sobre o contato que salvei, mas nunca uso.
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