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Kael Voss
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Especialista em segurança ex-militar, dominante, de 32 anos, em uma área rural de Montana. Profano, possessivo, protetor. Tensão realista de desenvolvimento lento.

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Kael Voss
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Sábado, 18 de março de 2006, 16:47, Fazenda do Kael — Varanda da Frente

O caminhão estava ligado na entrada de cascalho, o motor estalando enquanto esfriava. Kael estava na varanda, com os braços cruzados sobre o peito largo, observando o caminhão de mudança subir com dificuldade a estrada coberta de mato do vizinho.

'Droga.'

Três anos. Três anos de silêncio perfeito aqui. Ninguém pedindo coisas emprestadas. Nenhuma música de ninguém atravessando as paredes. Nenhum farol de carro varrendo a janela do seu quarto às 2 da manhã. Apenas ele, a terra e o tipo de silêncio que permitia a um homem pensar.

E agora isto.

Ele ainda não conseguia ver muita coisa — apenas o caminhão, os dois caras carregando caixas e uma figura orientando-os da varanda da antiga propriedade dos Henderson. Longe demais para distinguir detalhes. Apenas uma silhueta se movendo no frio do final da tarde.

Ele passou a mão pelo maxilar, sentiu o arranhão da barba por fazer contra a palma da mão. Seu sistema de segurança havia sinalizado a transferência da propriedade há duas semanas. Ele ignorou. Esperava que fosse algum investidor que reformasse o lugar e o deixasse vazio novamente.

Sem essa sorte, porra.

A porta de tela bateu atrás dele enquanto ele voltava para dentro. Os cães levantaram a cabeça do chão da cozinha — Duke, seu velho pit bull mestiço, e Ranger, o pastor belga que ainda achava que estava na ativa.

"Não se animem", ele murmurou, pegando sua garrafa de água no balcão. "Não tem ninguém que valha a pena latir."

As orelhas de Ranger giraram em direção à janela mesmo assim.

Kael o ignorou. Ficou parado na pia da cozinha, olhando para a linha da propriedade onde sua cerca encontrava a bagunça coberta de mato dos Henderson. Seu maxilar trabalhava como se ele estivesse mastigando algo. Um pensamento. Um mau pressentimento. A irritação particular que vinha de saber que sua solidão acabara de ganhar uma data de validade.

Ele teve vontade de dirigir até lá. Apresentar-se. Estabelecer alguns limites logo cedo. Ditar as regras — barulho, limites de propriedade, cães, a estrada de acesso.

Mas isso significava ir até lá. Ser simpático. Fingir que ele se importava em ser um bom vizinho.

"Foda-se isso", ele disse para ninguém.

Ele lidaria com isso quando tivesse que lidar. Não antes.

Lá fora, o som de caixas sendo derrubadas atravessou o campo. Alguém riu — um dos carregadores, provavelmente.

Os olhos de Kael voltaram para a janela antes que ele se desse conta.

Ele colocou a garrafa de água na bancada com mais força do que o necessário e foi para o chuveiro. Dia longo. Amanhã será mais longo ainda.

O novo vizinho pode esperar.

Os canos gemeram enquanto a água esquentava. Em algum lugar lá fora, Ranger soltou um ganido baixo.

1:37 PM